Receber o diagnóstico de autismo pode ser assustador no início, mas existem caminhos, direitos e apoios para garantir o melhor desenvolvimento do seu filho.
Descobriu que seu filho tem Transtorno do Espectro Autista (TEA)? Saiba o que fazer após o diagnóstico, quais profissionais procurar, quais são os direitos garantidos por lei e como acessar tratamento e benefícios.
O impacto do diagnóstico: você não está sozinha
Receber o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode gerar muitas dúvidas, medo e insegurança. É comum que pais e mães se sintam perdidos nesse momento.
Mas é importante lembrar: quanto antes o tratamento começar, maiores as chances de desenvolvimento. E o mais importante: vocês não estão sozinhos.
O diagnóstico é o primeiro passo para garantir direitos, acessar terapias e proporcionar qualidade de vida para a criança e toda a família.
Etapa 1: Organize a documentação médica
Assim que o diagnóstico for confirmado, é importante pedir ao médico um laudo completo, com:
- Nome da criança
- CID (F84.0 – Transtorno do Espectro Autista)
- Assinatura e carimbo do médico
- Indicação das terapias necessárias (como ABA, fonoaudiologia, psicologia etc.)
Esse laudo será a chave para solicitar tratamentos, benefícios, carteiras de identificação e adaptações escolares.
Etapa 2: Busque uma equipe multidisciplinar
O tratamento ideal é feito com profissionais especializados, como:
- Psicólogo (ABA ou outras abordagens)
- Fonoaudiólogo
- Terapeuta ocupacional
- Psicopedagogo
- Neurologista ou psiquiatra infantil
Mesmo que o SUS ou o plano de saúde não ofereçam todos esses serviços imediatamente, a lei garante o acesso integral ao tratamento — inclusive por meio de ação judicial, se necessário.
Etapa 3: Conheça os direitos do seu filho
A legislação brasileira garante diversos direitos às pessoas com TEA. Veja os principais:
- Tratamento completo custeado pelo SUS ou plano de saúde
- Benefício BPC/LOAS, para famílias de baixa renda
- Atendimento prioritário em serviços públicos e privados
- Matrícula obrigatória e inclusão escolar com adaptações e mediador
- Isenção de impostos e gratuidade no transporte público
- Carteira de Identificação da Pessoa com TEA (CIPTEA)
Saber desses direitos ajuda a evitar negativas injustas e garante um suporte mais justo e digno.
Etapa 4: Cadastre a família no CadÚnico
Se a renda familiar for baixa, é essencial fazer o cadastro ou atualizar o Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).
Esse cadastro é exigido para solicitar benefícios como:
- BPC/LOAS
- Gratuidade no transporte interestadual
- Tarifa social de energia elétrica
- Programas sociais federais, estaduais e municipais
O cadastro é feito no CRAS mais próximo da sua residência.
Etapa 5: Não hesite em buscar apoio jurídico, se necessário
Se o plano de saúde negar o tratamento, se o SUS não oferecer atendimento adequado ou se a escola se recusar a incluir seu filho, você tem direito de acionar a Justiça.
Em muitos casos, é possível obter liminares judiciais para garantir:
- Início imediato das terapias
- Fornecimento de medicamentos
- Inclusão escolar com mediador
- Reembolso por gastos anteriores
Conclusão
O diagnóstico de autismo muda a rotina, mas também abre caminho para acolhimento, tratamento e direitos garantidos por lei.
Informação é poder — e, com o suporte certo, seu filho pode ter acesso ao que precisa para se desenvolver com respeito, inclusão e dignidade.
Cada passo dado com informação é um passo em direção ao progresso.