Entenda como funciona o cálculo da renda familiar no BPC/LOAS, quais documentos são exigidos e o que fazer quando a renda parece ultrapassar o limite legal.
Saiba como comprovar renda para solicitar o BPC/LOAS. Veja como é feito o cálculo, quem entra na conta da família, quais documentos apresentar e como justificar gastos com terapias e medicamentos para garantir o benefício.
O que é o BPC e por que a renda importa?
O Benefício de Prestação Continuada (BPC) é um direito previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) e garante 1 salário mínimo por mês a pessoas com deficiência (incluindo autistas) ou idosos com mais de 65 anos que estejam em situação de vulnerabilidade social.
Um dos critérios mais importantes para concessão do BPC é a comprovação de baixa renda.
Qual é o limite de renda exigido?
A regra geral do INSS é:
Renda familiar mensal per capita inferior a 1/4 do salário mínimo, ou seja, em 2025, R$ 353,00 por pessoa da família.
Esse cálculo considera todas as pessoas que moram na mesma casa e a renda bruta de cada uma delas (sem descontar impostos, pensões ou financiamentos).
Quem entra no cálculo da renda familiar?
De acordo com a legislação, entram no cálculo:
- O beneficiário (pessoa com deficiência ou idoso)
- Pai e mãe (ou responsáveis legais)
- Irmãos solteiros que morem na mesma casa
- Avós e netos, se viverem sob o mesmo teto
- Cônjuges, companheiros e filhos
Não entram no cálculo pessoas que moram na casa, mas não tenham vínculo familiar direto, ou que sejam apenas cuidadores eventuais.
Quais rendas são consideradas?
- Salários registrados (CLT)
- Pensões e aposentadorias
- Benefícios previdenciários
- Aluguéis ou rendimentos eventuais
- Bolsa Família entra no CadÚnico, mas não é considerada renda para fins do BPC
Como comprovar a renda?
Durante o processo de solicitação do BPC, o INSS pode exigir:
- Holerites ou contracheques atualizados
- Extratos bancários
- Declaração de imposto de renda (se houver)
- Declaração de autônomo ou MEI, se aplicável
- Comprovantes de pensão, aposentadoria ou outros rendimentos
Além disso, é essencial manter o CadÚnico atualizado, pois ele será a base para a avaliação socioeconômica.
E se a renda estiver um pouco acima do limite?
Mesmo que a renda ultrapasse levemente o valor legal, o INSS e o Judiciário podem conceder o BPC com base na análise da realidade social da família.
Para isso, é importante apresentar:
- Comprovantes de gastos com medicamentos, fraldas, terapias e deslocamento
- Notas fiscais de clínicas ou recibos de atendimentos particulares
- Declarações sobre dependência total da criança/adolescente
- Relatórios de escolas ou terapeutas sobre a necessidade de cuidados especiais
Esses documentos ajudam a demonstrar que, mesmo com renda um pouco acima do limite, a família enfrenta gastos fixos que comprometem sua sobrevivência digna.
Quem faz essa avaliação?
Além da análise documental, o INSS pode agendar:
- Perícia médica, com profissionais da Previdência
- Avaliação social, feita por assistente social, que visita a residência e analisa a situação real da família
É importante que a família fale a verdade, explique as dificuldades e mostre todos os gastos envolvidos com o cuidado da pessoa com deficiência.
Conclusão
Comprovar a renda é uma das etapas mais delicadas do pedido de BPC. Mas com organização, documentos corretos e, se necessário, apoio jurídico, é possível garantir esse direito.
O mais importante é mostrar que a condição da família, somada às necessidades da pessoa com deficiência, justifica a concessão do benefício — mesmo quando os números não contam toda a história.