Negativa do plano de saúde em cobrir terapias: o que fazer?

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Negativa do plano de saúde em cobrir terapias: o que fazer?

Saiba quais são seus direitos quando o plano de saúde nega tratamento como ABA, fonoaudiologia e terapia ocupacional para pessoas com autismo — e como agir para garantir o atendimento.

Seu plano de saúde negou terapias essenciais para o tratamento do autismo? Descubra o que diz a lei, quando a negativa é abusiva e como entrar com recurso ou ação judicial para garantir a cobertura.

Quando o plano de saúde nega o essencial

Famílias de pessoas com TEA frequentemente enfrentam negativas do plano de saúde para terapias fundamentais, como:

  • ABA (Análise do Comportamento Aplicada)
  • Fonoaudiologia
  • Psicologia
  • Terapia Ocupacional
  • Psicopedagogia

As justificativas mais comuns são: “não está no rol da ANS”, “não temos profissional credenciado” ou “a quantidade de sessões já foi atingida”.
Mas a verdade é que grande parte dessas negativas é abusiva — e pode ser revertida com base na lei.

O que diz a lei?

✅ Lei nº 12.764/2012

Reconhece o autismo como deficiência e garante atenção integral à saúde, incluindo terapias especializadas.

✅ Lei dos Planos de Saúde (Lei nº 9.656/98)

Exige que os planos cubram tratamentos prescritos por médico habilitado, desde que haja indicação clínica.

✅ Decisão do STJ (2022)

Firmou o entendimento de que o rol da ANS é exemplificativo, ou seja, os planos devem cobrir tratamentos indicados mesmo que não estejam na lista da ANS, desde que haja justificativa médica.

Ou seja: se o médico do seu filho prescreveu uma terapia com frequência específica, o plano não pode negar ou limitar esse tratamento de forma arbitrária.

Quando a negativa é considerada abusiva?

A negativa do plano de saúde é abusiva quando:

  • Limita o número de sessões prescritas (ex: libera 2 sessões/mês quando o médico indicou 4/semana)
  • Recusa cobertura alegando que a terapia “é educacional”
  • Exige que o laudo venha apenas de médicos da rede própria
  • Afirma que não há cobertura para ABA, TO ou psicopedagogia
  • Se recusa a credenciar ou reembolsar clínicas especializadas

Essas práticas violam o Código de Defesa do Consumidor e o direito à saúde garantido pela Constituição.

O que fazer diante da negativa?

  1. Solicite a negativa por escrito
    Exija que o plano entregue a negativa formal, com a justificativa detalhada.
  2. Reúna a documentação médica
    Inclua laudo com CID (ex: F84.0), prescrição da terapia, frequência recomendada e justificativa técnica.
  3. Registre uma reclamação na ANS
    Acesse www.gov.br/ans ou ligue para 0800 701 9656. A ANS pode intermediar e pressionar o plano.
  4. Tente um recurso administrativo com o plano
    Com os documentos em mãos, protocole um recurso interno solicitando revisão da negativa.
  5. Busque apoio jurídico
    Se nada resolver, você pode entrar com uma ação judicial com pedido de liminar, garantindo o início imediato das terapias. Muitas decisões determinam também reembolso de gastos já realizados.

E se eu pagar as terapias do meu bolso?

Se você precisou pagar terapias por conta da negativa injusta, é possível pedir na Justiça:

  • Reembolso integral dos valores pagos
  • Indenização por danos morais, em casos de negligência grave ou prejuízo à saúde da criança

Guarde recibos, notas fiscais, extratos bancários e contratos com profissionais ou clínicas.

Conclusão

Negar cobertura a terapias essenciais para o tratamento do autismo é ilegal e injusto. A lei e a jurisprudência brasileira estão ao lado das famílias.
Com documentação adequada e apoio correto, é possível garantir o tratamento que seu filho precisa e tem direito.

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Esse artigo foi escrito por:

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Vinicius Morais Prado

Dr. Vinicius procura sempre atuar com agilidade e assertividade, fornecendo para seus clientes as melhores soluções técnicas alcançáveis pelo Direito.
Pós-graduado em Direito Processual Civil. Pós-graduado em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho. Especialista em Direito de Empresas.
OAB/SP 443.781

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